
Racismo ambiental: pessoas mais vulneráveis sofrem mais com efeitos da crise climática
As mudanças climáticas e os eventos meteorológicos extremos afetam de forma mais severa a população de favelas, periferias e comunidades urbanas por conta da precariedade das moradias e da falta de infraestrutura urbana. Esse problema é conhecido como “racismo ambiental”, porque os moradores desses locais, em sua maioria, são pretos ou pardos.
Em Campinas (SP), dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que 140.784 pessoas residem em 118 favelas espalhadas pela cidade.
A frentista Larissa Brito é uma dessas pessoas. Ela reside na comunidade do Parque Shalom, onde as moradias são feitas de madeira e telhas de fibra, estruturas que não conseguem oferecer proteção contra o que acontece do lado de fora.
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“É muito difícil, né? Quando é tempo de frio, a gente sofre bastante, porque entra muito vento, as crianças ficam doentes, às vezes internadas com bronquiolite”, disse.
“Quando vai chegando às seis, sete, oito horas da noite, todo mundo se junta para utilizar três, quatro cobertas para tentar ficar quente. E no calor mesmo, é insuportável”, completou.
Larissa relatou que sofre com as mudanças climáticas
Reprodução/EPTV
Já a líder comunitária Ana Veronezzi reúne doações para quem precisa no Jardim Rosália. Mas, há dois anos, essa missão se tornou mais difícil por conta de um vendaval.
“A gente tinha um barracão onde nós fazíamos reuniões, tinham palestras. Com esse vendaval, as casas e o barracão foram destelhados. A Prefeitura realocou as famílias com auxílio-aluguel e o barracão foi demolido”, contou.
Em nota, a Prefeitura de Campinas disse que tem ações de acolhimento de pessoas em situação de vulnerabilidade, com ajuda em programas sociais, e também disponibiliza cadastro na Companhia de Habitação Popular de Campinas (Cohab) para acesso a moradias dignas. O telefone é o (19) 3119-9500.
Pretos e pardos
Moradia de Larissa é feito de madeira e telhas de fibra
Reprodução/EPTV
Segundo os dados do IBGE, das 140.784 pessoas que moram em favelas de Campinas, 93.847 são pretas ou pardas — 66,6% ou dois terços do total.
Além disso, 35% dos moradores dessas comunidades vivem em trechos sem árvores e 62% dos domicílios não possuem bueiro ou boca de lobo no entorno.
Para a doutora e pesquisadora da Unicamp, Maíra Silva, o cenário demonstra como a ação do Estado difere de acordo com a região afetada.
“[O racismo ambiental] se trata de violações de direitos que acontecem historicamente com as populações mais vulnerabilizadas. […] A gente sabe que as respostas aos desastres que esses eventos acometem são piores, são mais demoradas do que para outras populações”, comentou.
Racismo ambiental impacta pessoas em situação de vulnerabilidade social
Reprodução/EPTV
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