Paciente morreu e outra perdeu o útero após abortos feitos por falso médico, diz polícia
Duas pacientes atendidas por um falso médico em uma clínica clandestina de aborto na Barra da Tijuca, na Zona Sudoeste do Rio, sofreram graves complicações após os procedimentos, segundo a Polícia Civil.
Uma delas morreu após sofrer hemorragia e infecção generalizada. A outra precisou retirar o útero e está internada há quase um mês no Hospital Municipal Miguel Couto, no Leblon, na Zona Sul.
As investigações levaram à prisão de José Luis Gonçalves, de 61 anos, nesta sexta-feira (5). De acordo com a polícia, ele não possui formação em Medicina, mas se apresentava às pacientes como médico e utilizava o codinome “Dr. Bruno”.
“José Luiz é uma pessoa de 61 anos. Ele não é médico, ele não é enfermeiro, muito embora ele se intitulasse como médico, e ele se utilizava do codinome Dr. Bruno para realização de práticas abortivas”, disse a delegada Cristiane Uchôa.
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Falso médico é preso no Rio
Reprodução/TV Globo
Segundo a Polícia Civil, a clínica funcionava em uma cobertura na Avenida Olegário Maciel, na Barra da Tijuca. O local foi interditado durante a operação que resultou na prisão do suspeito.
“A clínica é um lugar de extrema insalubridade. Encontramos diversos medicamentos para anestesiar, encontramos outros medicamentos também utilizados para provocar contrações nas vítimas”, falou a delegada.
Os investigadores encontraram medicamentos armazenados de forma inadequada e com prazos de validade vencidos. Alguns deles estavam vencidos havia quase 9 anos. A polícia também constatou a ausência de equipamentos e materiais básicos para atendimento de emergências.
De acordo com as investigações, o falso médico cobrava R$ 5 mil por cada procedimento.
A delegada responsável pelo caso informou que o suspeito será indiciado por homicídio doloso (quando há intenção de matar), tentativa de homicídio e exercício ilegal da Medicina.
“O José Luiz a todo momento só afirmava que falaria com o advogado dele e quando ele estivesse na presença do juiz.”
A Polícia Civil pediu que outras vítimas do falso médico procurem a delegacia para denunciar os crimes e contribuir com as investigações.
Clínica clandestina de aborto funcionava na Barra da Tijuca
Reprodução/TV Globo
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