Vista aérea de uma área de mineração ilegal na Área de Proteção Ambiental de Tapajós, no município de Itaituba, na floresta amazônica, no sudoeste do estado do Pará, Brasil, em 21 de maio de 2026.
EVARISTO SA / AFP
O Greenpeace Brasil detalha, em um novo relatório, como o ouro extraído ilegalmente da Amazônia é inserido no mercado global por meio de um sofisticado esquema de lavagem. O documento, publicado na quarta-feira (3), revela o uso de “minas fantasmas” que, embora estejam inativas, mantêm permissões de exploração mineral artesanal e são utilizadas para declarar grandes volumes de ouro obtidos de forma ilícita.
Segundo a organização, essa prática é facilitada pela ausência de um sistema confiável de rastreabilidade por parte das autoridades, permitindo que a produção ilegal seja incorporada aos circuitos comerciais legítimos.
A pressão sobre a floresta tem sido impulsionada pela instabilidade global, que consolidou o ouro como um ativo de refúgio e elevou seu preço de aproximadamente € 35 para € 140 por grama ao longo dos últimos sete anos. Apenas em 2025, o valor do metal registrou alta de 60%, incentivando garimpeiros a avançarem sobre áreas de conservação e territórios indígenas antes preservados.
Como consequência, a destruição já alcança quase 100 mil hectares de florestas protegidas no Brasil, gerando graves impactos ambientais e sociais.
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Mercúrio ameaça meio ambiente e população
O uso de mercúrio na separação do ouro contamina rios e a fauna, afetando diretamente a saúde das populações locais que dependem desses recursos hídricos. Além disso, a atividade compromete a segurança alimentar das comunidades indígenas ao desestruturar práticas agrícolas tradicionais.
O avanço do garimpo também favorece a disseminação da violência, de doenças, da exploração sexual e do tráfico de seres humanos na região. O cenário é agravado pela atuação de poderosas organizações ligadas ao crime organizado em diferentes áreas da Amazônia.
O novo estudo complementa o relatório “Toxic Gold”, publicado em 2025, ao demonstrar que o ouro ilegal percorre cadeias internacionais de suprimento pouco transparentes até chegar a refinarias e centros comerciais vinculados ao Canadá e à Europa. Especialistas alertam que a combinação entre desmatamento e mudanças climáticas está empurrando a Amazônia para mais perto de um ponto de não retorno.
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